Buscando...

Fuligem



Lembranças, guardadas em caixas.
Por muitas vezes coloridas, floridas de amarelo.
São pesadas, carregam e transportam os sentimentos de uma vida.

Tão pequenos fragmentos de todos nós, contendo tantos outros fragmentos,
Que estavam presentes no passado de cada um.
Decidi aliviar a minha bagagem, o peso contido.

Chamas começaram a crepitar ao primeiro papel.
Sorri.
Havia logo uma fogueira abrasadora,
Amontoados de papel negro que eram carregados leves pelas correntes de ar.
Um fogo cor-de-fogo moldava os papeis em formatos irregulares, enegrecidos.
Fazia do quarto a prisão obscura, sombras sob as chamas, sentimentos saindo por frestas.

Acostumei-me a fumaça, a fuligem não me incomodava mais.
Meu passado virava cinza, bem ali.
Diante dos meus pés. E eu sorria.

Não permiti que o fogo apagasse,
Continuei jogando palavras vazias no fogaréu.
"Eu te amo", "Nunca te esquecerei".
Ninguém necessita mais de palavras vagas, mentiras, ilusões.
Minha bagagem está finalmente leve.
Estarei liberta de tudo, assim que a última chama lamber o último papel, e deixar de brilhar.

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